Prince
Maio 7, 2008
[às tantas no video aparece o nome "Lydia" numa pedra ...]
Neste mês volta Bonnie “Prince” Billy com o seu “Lie down in the light”. Na mesma altura deverá chegar o dvd “The Guatemalan Handshake”, onde Bonnie é protagonista.
[às tantas no video aparece o nome "Lydia" numa pedra ...]
Neste mês volta Bonnie “Prince” Billy com o seu “Lie down in the light”. Na mesma altura deverá chegar o dvd “The Guatemalan Handshake”, onde Bonnie é protagonista.

Lídia Aparício, Maio, 2008, Lisboa.
Espero voltar em Julho para ouvir The Famous Blue Raincoat, entre outras. O azul já lá está.

Pede-se um pão com manteiga e vem também um pardal. É assim na esplanada da Cinemateca de Lisboa. Felizmente não fazia parte do elenco dos Pássaros.

Cinema papel: desenhos de Federico Fellini na Cinemateca. Fellini ao colo do Óscar bem podia ser um momento de Óscares.

Lídia Aparício, Cascais, Maio, 2008.
Um momento inesperado, quando um ciclista passa, antes de um peão.

Lídia Aparício, Cascais, Maio, 2008.
Os barcos estão aportados, os carrinhos estão presos e as caixas dos gelados estão pelo chão. Tazo ou pure energy?


Lídia Aparício, Cascais, Maio, 2008.
Com O Espírito Nómada, de Kenneth White, na bolsa. Errar duas vezes.

Lídia Aparício, Lisboa, Maio, 2008.
Porque se gosta muito de datas redondas, a faixa comemorativa de 120 de anos lá está na casa onde nasceu Fernando Pessoa. Uma faixa como a nuvem que vai passando. Antes da faixa gostava de ler os versos, aqui ou acolá, pela calçada ou que ,na marginal do Tejo, houvesse uma parede que fosse uma folha.

Lídia Aparício, Cascais, Maio, 2008.
Continua a ser uma das garrafeiras mais bonitas que já vi. As suas paredes são coloridas e com frases, que também poderiam ser ditas numa embriaguez poética. Os versos de Enivrez-Vous, de Baudelaire, não ficavam nada mal nessas paredes.












Fotogramas : O Mundo de Jia Zhang-Ke, Quando uma mulher sobe as escadas de Mikio Naruse, Il Grido, de Antonioni, Les Anges du Péché, de Robert Bresson, L’Amour à Mort, de Alain Resnais, Mèlo, de Alain Resnais, Coeurs, de Alain Resnais, L´Ivresse du Pouvoir, de Claude Chabrol, O tempo do lobo, de Michael Haneke, Les Chansons d’Amour, de Christophe Honoré, Un soir après la guerre , de Rithy Panh, El Espíritu de la colmena, de Victor Erice.
Para conhecer as obsessões de Antonioni, as suas marcas, Il Grido é um bom exemplo. Neste filme aprofunda-se, mais no campo da imagem, sempre mais a imagem que a palavra, a solidão, o seu tema eterno. Toda a errância de um simples operário, que não sabe da sua identidade, que volta no final ao topo, do lugar onde foi feliz. Antonioni trabalha aqui :a imagem como fosse a transparência do pensamento que não é dito.Também faz aqui um trabalho de personagens, tenta colocá-las no melhor enquadramento, na melhor forma, no melhor campo, na melhor linha.
Mais do que o tema do amor, da morte, do suicídio, L’amour à mort, de Alain Resnais transcende os próprios temas, corporiza a forma, materializando a música como personagem.
Quando uma mulher sobe as escadas centra-se na vida de uma mulher viúva, no Japão do pós-guerra, que luta entre ficar ligada aos costumes tradicionais ou ceder às influências modernas. Keiko quer casar e abrir o seu bar, mas os ventos são fortes. O filme pauta-se por toda uma luta, pela sua preserverança. Apesar dos ventos serem contrários aos seus desejos, Keiko continua a sorrir quando entra no bar que trabalha.
L´Ivresse du Pouvoir, de Claude Chabrol tem um tema interessante. Uma mulher juíza que quer caçar os grandes, os mafiosos, os empresários que se metem nas artimanhas mais escuras. Uma juíza muito determinada em levar tudo até ao último ponto. No entanto,…parece que o cubo mágico não fica todo com as mesmas cores.
Les Anges du péché , de Robert Bresson, há ma cena estupenda, quando Thérèse mata o amante. Aguarda que ele abra a porta, e só vemos uma sombra ao seu lado. Mata uma sombra é o que vemos.
O primeiro plano:

O último plano :

fotogramas de O Tempo de Lobo, Michael Haneke, 2002.
O Tempo do Lobo, de Michael Haneke, só podia ser um filme inquietante. Inquietação é o selo do seu cinema. Neste filme, o realizador austríaco quis filmar uma situação extrema, uma catástrofe, os últimos dias de vida na terra, algo do género. Haneke não entra nos clichés. Por isso, temos o mais duro e cruel, sem algum “efeito”. Aqui vemos, em primeiro plano, um carro a chegar da cidade a uma casa, no meio de muitas árvores. Vemos uma família a retirar coisas do carro, tudo parece ser normal e pacífico, até entrarmos na casa. A casa é “ocupada” por outra família estranhamente. Face a isto, há uma morte. Quem tenta dialogar, o homem que chega, morre sem meias palavras a mais. Anne (Isabelle Huppert) vê-se então com o filho e a filha a bater de porta em porta, numa errância, em busca de ajuda. Às tantas, parece ser só o fogo o elemento mais precioso, ou melhor, um isqueiro que se acende no meio de total escuridão, em busca de um dos filhos. A errância é interrompida numa estação de comboios, à espera de um comboio que pare. Permanecem aí, com mais um grupo de famílias fugitivas. A situação de vida é muito precária, reina a moeda de troca, troca-se tudo, até água. Face a este cenário, vários são os comportamentos: Anne chora, a filha pergunta e procura o outro,o filho permanece mudo, indiferente à chuva, e mais adiante tenta imolar-se, como fosse a salvação da sua inocência, ou por desespero. Talvez seja isto que Haneke quisesse, como que o humano se comportaria numa situação tão extrema. Não sabemos qual é o tempo e o local em que o filme se desenrola.
É um dos finais mais interessantes que já vi em cinema. Primeiro, surpreende-me. De um corte de uma cena para outra ,Haneke coloca-nos num comboio em andamento. Não sabemos quem vai lá, quem sobrevive. Eles ou nós? Um travelling para a frente, somente paisagem e mais paisagem.
Fez-me lembrar a “A Hora do Lobo” de Ingmar Bergman.
´
Lídia Aparício, Nick Cave no Coliseu do Porto, Abril 2008.
Depois de algumas tentativas, consegui fotografar o suor no rosto de Nick Cave. Não estava fácil. Entre a fantástica Tupelo e a linda balada Straight to You , à espreita de um gesto, de uma expressão.
I’ve looked at life from both sides now,
From win and lose, and still somehow
It’s life’s illusions I recall.
I really don’t know life at all.
Joni Mitchell
Comecei a semana ouvindo esta estupenda canção, interpretada de uma forma extraordinária por Charles Aznavour e Liza Minnelli, graças à antena 1.