já então a raposa era o caçador

“Não é a língua que é a pátria, mas sim aquilo que dizemos”, escreveu Jorge Semprúm em A Escrita ou a Vida (ASA,1995). Todas as ditaturas põem as línguas ao seu serviço, é sabido. E para os exilados essa língua acaba, por vezes, por se tornar hostil, o que parece não ter sido o caso de Herta Müller. ” A pátria é o lugar a que se pertence, não é o lugar em que se nasce. Mas às vezes sinto que a Roménia é a minha pátria: chega-me uma certa nostalgia em lugares quentes porque me faz lembrar o Verão romeno. Ou quando vejo certas árvores, o marmeleiro. Isso acontence-me muito na Bulgária, ou em Barcelona…onde num dia quente, quando chove, lembra-me a Roménia.”

Müller afina o critério de qualidade de um texto pela capacidade deste provocar o diálogo com o leitor “de outra forma que não palavras”. Isto, segundo ela, é tão válido para a poesia como para a prosa, pois o texto literário tem que tocar mais coisas do que aquelas que ele próprio nomeia e descreve : fazer uma espécie de “desautomatização” da linguagem e de inovação metafórica.

Herta Müller, no último Ípsilon, por José Riço Direitinho.

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