Sobre o olhar

A proposta radical em que Giacometti baseava toda a sua obra madura era que nenhuma realidade – e ele só se preocupava com a contemplação da realidade – jamais poderia ser partilhada. Por isso ele acreditava ser impossível concluir uma obra. Por isso o conteúdo de qualquer obra não é a natureza da figura ou a cabeça retratada, mas a história incompleta do olhar dele enquanto a contemplava. O ato de olhar era, para ele, como uma forma de oração – tornava-se um modo de abordar mas jamais conseguir apreender um absoluto. Era o ato de olhar que lhe dava consciência de estar constantemente suspenso entre o ser e a verdade.

John Berger, Sobre o olhar, traduzido por Lya Luft, Editorial Gustavo Gili, pág 159.

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