As divisões

A divisão começa logo no início com as divisões da casa, a janela é a mesma para dois espaços divididos por uma parede, ou aqui ficamos congelados ou ficamos sufocados,diz uma das personagens, na primeira casa que visita. A divisão percorre todo o filme, desde da divisão de espaço na imobiliária até a divisão de um balcão, de dentro para fora e, na verdade, estão todos a cantar a mesma canção. Uma canção em que a toada é a solidão. Toda essa solidão de divisões para espaços como atrás de um balcão, o canto de uma mesa de um restaurante barulhento,o canto de um sofá. Todas essas casas têm como pano de fundo uma janela de neve constante, tão artificial, que só foca aqui o palco do que se passa à frente. Ou a neve constante que é retirada dos casacos, um inverno gelado, o coração frio. Ou a neve igual a que temos em L’Amour à Mort, que é constante num separador negro, a prolongar emoções, a desdobrar tempos, o ritmo da música. As personagens movimentam-se como estivessem a seguir traços de giz de um encenador , não surpreende aqui. Aqui ou acolá o filme puxa-nos um sorriso ou riso.Há um diálogo delicioso com a cassete de video, na imobiliária. Numa teia de momentos cómicos e dramáticos, a televisão leva as suas alfinetadas merecidas. Coeurs de Alain Resnais, em grande forma.

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