Uma pálida, pálida neblina

Michelangelo, estamos tantas vezes
juntos a bordo de um barco que flui
pela corrente do Amu Darya,
e como com os nossos dentes abrimos
negras sementes de girassol.
Estamos rodeados de cordas, bidões de óleo
e trouxas de ciganas amontoadas
em frente do sidecar cor-de-rosa.
Durante todo o tempo, marinheiros
com longos paus mantiveram-nos
longe dos bancos de areia.
Sentados na borda do barco,
sem saber para onde nos levava,
olhávamos para a linha aquática do rio
a desaparecer, à distância,
num nevoeiro de uma pálida, pálida neblina
que te fez pensar
que a viagem acabaria em Ferrara.

Tonino Guerra, o longo companheiro de Antonioni.

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