Limite

Em sua seqüência de abertura, Limite (1931, de Mário Peixoto) parece um filme sem fim, interminável. Sob uma primeira impressão, gera a sensação de infinitude, onde uma imagem se sucede a outra, e a outra, e a banda sonora contribui para uma situação, paradoxalmente, permanente. O que, inicialmente, nos coloca em conflito dentro de um jogo onde a matéria não dialoga, semanticamente, com o significado, pois, no decorrer de quase dez minutos, a imagem que nos chega é a de uma realidade em seu estágio terminal, prestes a desaparecer ou, literalmente, naufragar a qualquer instante: a imagem e a realidade de sujeitos à deriva – um homem e duas mulheres, visivelmente, resultantes de um naufrágio, perdidos na imensidão do mar como náufragos, e, conseqüentemente, presos aos limites e restrição espacial de um barco. Assim, a sensação do objeto interminável toma conta da percepção não só no plano da materialidade fílmica, o que, a princípio, muito colabora o encadeamento de planos, a partir da fusão de imagens, arbitrariamente, relacionadas – abutres sobre uma montanha, certamente, devorando alguma carniça, dão lugar ao rosto de uma mulher com braços de um homem algemados por sobre seus ombros e, depois, apenas as mãos algemadas para, em seguida, os olhos fixos de uma mulher em direção a câmera ou ao infinito preenchem todo o quadro.

Por diversos motivos, Limite é um filme tomado por uma aura mítica que, desde sempre, o torna unânime, absoluto e quase intocável. Portanto, indissociável das representações dos que o viram algum dia e, também, dos que nunca chegaram a ver suas imagens, constituindo-se num daqueles casos não tão raros na história do cinema:“amado por todos e visto por poucos” .

por Marcos A. Felipe

Assim não vale. Agora fiquei com vontade de ver.

4 thoughts on “Limite

  1. Oi, reconheço a importância de Limite, mas, pessoalmente, prefiro outros filmes brasileiros. Assim como, na área experimental, prefiro outros cineastas. Um abraço.

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