Inland Empire

 

Acende o isqueiro, deixa a luz permanecer até ao fim das amanhãs azuis, queima a seda, vê pelo buraco o futuro (será mesmo o futuro?), agora vamos cair no buraco, estamos dentro do filme, de que filme mesmo? Como em Persona de Bergman, embora não haja a película, há a textura do digital e o buraco queimado e ela vê por ele e sai dele e vai até a sala e continua o filme. Também o filme dentro do filme e nenhuma lógica. Como o ketchup espalhado numa t-shirt, o vermelho é vermelho no digital também, como em Pierrot Le Fou, de Godard, o vermelho é dinamite. Alucinantes corredores, telefones que só podem tocar misteriosamente, candeeiros que mais parecem árvores com raízes vermelhas, e uma mulher perturbada dentro e fora do “filme”, ou uma estrela de hollywood, que lê o seu texto de ensaio de  óculos escuros e vomita sangue num chão de estrelas.Há uma arma numa gaveta, uma família de “coelhos”, o negro antigo e fora do tempo de uma mulher polaca, uma chave de fendas a furar a imaginação,as 21:45 horas, o número 47 numa porta,um portão cheio de luz, um cavalo no poço e muita história dentro. Depois do negro do ecrã,…. Como em Mulholand Drive, preciso de voltar a vê-lo. (Há filmes que são difíceis de serem colocados em palavras, então os do David Lynch são por natureza contra a qualquer sinopse profissional ou algo que fixe em teorias bem explicadas, quando o sonho ,o surrealismo e o mistério transbordam nos seus filmes (e assim continue por muitos mais), não vejo outro modo).

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