Os abraços que não sei adjectivar

De costas voltadas vão em direcção à cruz, a câmara no final distancia-se, não nos leva para o local da morte.Uma procissão os segue, uma mulher diz que eles estão felizes, Osan esboça um sorrisso.A cruz da paixão determinada por um acaso. Osan decide colocar um ponto final na sua vida, atada por uma corda nas pernas, no rio, num barco, Mohei lhe diz as últimas palavras que a salva.Depois há um abraço que mais parece que foi arrancado da terra. Já amantes sobem uma montanha, magoada num pé descansa numa cabana, Mohei decide abandoná-la para a salvar, Osan desce desesperada à procura do amante, encontrados, descem para a cruz. Numa casa de calendários, num barco entre sombras, o acaso mudou toda uma vida, mudou as vidas.

Mizoguchi realizou mais de 80 filmes ,no último que vi “Os contos de lua vaga”, há também um abraço. Não sei adjectivá-lo, já que merece um substantivo forte para aguentar a força de tal imagem. Em “Os Amantes Crucificados”,há também um abraço.Não me lembro de outro realizador que tenha filmado abraços assim. (É muito difícil escrever sobre os filmes de Mizoguchi).

fotograma: “Os Amantes Crucificados” , de Mizoguchi.

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