A Roma de Rossellini

“[…]Rossellini e Langlois já estavam confirmados, a sessão esgotada, como explicar-lhe ao público que Roma não podia passar? Calculo que foi pensando em tal escandaleira e com a garantia gulbenkianica que o filme só passava uma vez e na versão original italiana, sem legendas(bons tempos, bons tempos…) que acabou por vir uma autorização especial. O que eu não esperava-já o contei muitas vezes-é que, à entrada da sessão, o próprio Director-Geral me viesse felicitar pela boa ideia que eu tinha tido de trazer Roma, Città Aperta, “um filme que há tanto tempo queria ver”. Ainda hoje não sei se estava a ser sincero. A alma humana é uma abismo.

Sala hiper à cunha, ambiente de alta tensão. A maior parte da assistência devia ter nascido depois do filme. Mas também havia altos dignitários do regime, ministros, secretários de estado, etc.

Rossellini foi acolhido em delírio. A certa altura, disse que tinha um conselho para os jovens, mas com a lendária lapidez romana, percebeu que não era de conselhos que a juventude dos anos 70- tão contestatária- estava à espera. E logo emendou a mão: “Conselhos não. É sempre estúpido dar conselhos”. Tremenda ovação. Tinha a sala na mão.

Depois saiu do Auditório, porque nunca revia filmes dele e veio conversar cá para fora com Langlois. […]”.

em “Como o Cinema era belo”, por Bénard da Costa.

Imagens: fotogramas: “Roma,Cidade Aberta”,Rossellini. “Vivre Sa Vie”, Godard. 

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