O alfabeto e o olho

 

O Ventre do Arquitecto (the belly of an architect) é o novo filme que a Costa de Castelo Filmes coloca à venda, seguindo a linha da filmografia do realizador Peter Greeenway. Gostaria de dizer muita coisa sobre o filme, no entanto, fico-me pelo o extra, o documentário O alfabeto e o Olho. É, sem dúvida, uma aula de cinema por ele mesmo e sobre o seu cinema, sobre o cinema. Começa logo por dizer que os melhores filmes que existem são não narrativos, reforçando a ideia de que o cinema não é um bom meio de narração. Por isso mesmo, que foge das construções forçosamente narrativas, e constrói toda uma rede cinematográfica que passa pelo os números, pelo o simbolismo da cor, pelo o código da cor, e claro pelo  o sistema alfabético. O alfabeto que se abre, no documentário, corre de água, arquitectura, artifício,criança, corpo,comida, caligrafia, cores, documentário, enciclopédia, cientista fantasista, jogo,horror de vazio, imagem, livros, luz, morte, número,homicídio, pintura,quadro,religião,sexo,história,tempo,homem,voo e zoo. Em suma, o seu vocabulário, vocabulário este que ele estabeleceu logo no seu primeiro filme exibido, Windows. Repete mais do que uma vez algo ,que é mais claro que água, quando se fala em Greenway : para mim, tal como a pintura, o cinema é uma arte profundamente artificial. Para ele, é obsceno pensar que se pode colocar a realidade no cinema, falando mesmo numa situação particular,aquando da realização de um documentário (por onde ele começou curiosamente). Às tantas, Greenway fala da sua missão estética e sociológica que não é nada mais nada menos que amplificar a sugestão de que no mínimo cada operador de câmara deveria passar três anos a pintar e a estudar pinturar antes de lhe ser permitido pegar na câmara, pois segundo ele esta é a melhor maneira de treinar  o olho e de ter uma certa sofisticação sobre as noções do olhar e do ver. Palavras dele. A verdade é que são muitos os pontos  interessantes de que ele toca  de uma praça de Bolonha,com o seu chapéu branco, no meio da praça, que abarca tudo(arte, comércio, justiça,etc). “Tenho falado frequentemente do facto básico de que ainda não vimos cinema, vimos 105 anos de texto ilustrado”. Incómodo, como eu gosto.

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