Dá-me

Dá-me algo mais que silêncio ou doçura
Algo que tenhas e não saibas
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra

Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há muitas coisas mudas
ocultas no que se diz

Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!

Carlos Edmundo de Ory, poema mudado para português por Herberto Helder, em Doze Nós Numa Corda, Assírio & Alvim.

2 thoughts on “Dá-me

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