D.

Ontem fui a casa do João. É engraçado como, ao olhá-lo, vejo as suas idades todas. Conhecemo-nos tão bem! E sem palavras inúteis, sem efusões, de longe, ceriminiosos, a pingarmos ternura. De todos os meus irmãos é o que mais me comove. Gostava tanto que fosse feliz. O meu pai, ao jantar, subitamente velho. Longe dele não é este o pai que lembro. Nem esta a mãe. Velhos ou disfarçados de velhos, é claro. Não morram. Vejam-me lá isso, como dizem os mecânicos, não morram. O sorriso do Miguel. Eu para ali parado, a olhar. Quase nunca falo. Para quê? Dizemos tanto, assim.

António Lobo Antunes, Terceiro Livro de Crónicas, D., D.Quixote, 2006.

3 thoughts on “D.

  1. Olá amiga,

    Vi a peça sim ( e por motivos diversos até a vi 2 vezes). Tem um par de boas interpretações de actores que ainda são muito jovens, falham talvez um pouco na contracena. O dispositivo cénico é brilhante e a encenação do Ricardo Pais muito rigorosa (como é habitual). Não é a peça da tua vida mas diria que é bastante boa. Além disso é Molière, e claro quando se anda por aí a ver disparates sabe muito bem ouvir no palco a simplicidade, a argúcia, a suprema ironia de Molière.
    bjs

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