Exílios

Da minha caixa de comentários, Ronaldo Cagiano (*)

A cidade se des(d)enha em seus próprios labirintos:

pelas serpentes de pedra e asfalto

corre pressuroso um rio de animais metálicos.

(*) Ronaldo Cagiano nasceu em Cataguases (MG, Brasil) e vive em Brasília desde 1979, onde se formou em Direito. Colabora em diversos jornais, revistas e suplementos, publicando artigos, resenhas, poesia e contos e participa de diversas antologias nacionais e estrangeiras. Publicou os seguintes livros: Palavra engajada (poesia, 1989), Colheita amarga & outras angústias (poesia, 1990), Exílio (poesia, 1990), Palavracesa (poesia, 1994), O prazer da leitura – em parceria com Jacinto Guerra (contos e crônicas juvenis, Brasília1997), Prismas – literatura e outros temas (coletânea de artigos e resenhas publicados em jornais, 1997), Canção dentro da noite (poesia, 1999), Espelho, espelho meu – co-autoria com Joilson Portocalvo (infanto-juvenil, 2000), Poetas mineiros em Brasília (Org., 2002), Dezembro indigesto (contos, 2002) – Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária 2001 e Concerto para arranha-céus (LGE Editora, 2004).

Não há mais lugar para os homens.

Anônimos, como areia na ampulheta,

vamos caindo, atarefados,

em busca da quarta margem: a utopia.

A metrópole, como um ventre,

espera o desconhecido

e na sua imensidsolidão geométrica

nascem catedrais de ausências.

Se Paris está lendo Paulo Coelho,

eis minha vingança:

vou ler Proust em Cataguases.

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