As gaivotas

As gaivotas. Vão e vêm. Entram
pela pupila.
Devagar, também os barcos entram.
Por fim o mar.
Não tardará a fadiga da alma.
De tanto olhar, tanto
olhar.

Eugénio de Andrade, de Antologia Breve, 1972.

6 thoughts on “As gaivotas

  1. Eugénio🙂

    E este, Lídia?

    “Era em New Bedford: um barco
    partia para Nantucket.
    Tremo fascinado pelo deserto
    branco desse nome.
    Melville, Moby Dick, o mar – de súbito
    tudo rompia daquelas sílabas;
    um mar feliz de cachalotes coroados
    por jorros de espuma,
    as núpcias do touro branco
    com a baleia azul
    no manso prado das águas,
    a misteriosa fonte da alegria,
    os saltos para o sol, o canto
    fundo, a valentia, o ardor
    entre homens e baleias. Era também
    a morte. A morte nunca é limpa.
    A morte cresce no escuro,
    propaga-se no ar, entra pelas narinas.
    Só o deserto é branco;
    a morte não; só o mar. “

  2. EXÍLIOS
    ———

    Ronaldo Cagiano (*)

    A cidade se des(d)enha em seus próprios labirintos:

    pelas serpentes de pedra e asfalto

    corre pressuroso um rio de animais metálicos.

    (*) Ronaldo Cagiano nasceu em Cataguases (MG, Brasil) e vive em Brasília desde 1979, onde se formou em Direito. Colabora em diversos jornais, revistas e suplementos, publicando artigos, resenhas, poesia e contos e participa de diversas antologias nacionais e estrangeiras. Publicou os seguintes livros: Palavra engajada (poesia, 1989), Colheita amarga & outras angústias (poesia, 1990), Exílio (poesia, 1990), Palavracesa (poesia, 1994), O prazer da leitura – em parceria com Jacinto Guerra (contos e crônicas juvenis, Brasília1997), Prismas – literatura e outros temas (coletânea de artigos e resenhas publicados em jornais, 1997), Canção dentro da noite (poesia, 1999), Espelho, espelho meu – co-autoria com Joilson Portocalvo (infanto-juvenil, 2000), Poetas mineiros em Brasília (Org., 2002), Dezembro indigesto (contos, 2002) – Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária 2001 e Concerto para arranha-céus (LGE Editora, 2004).

    Não há mais lugar para os homens.

    Anônimos, como areia na ampulheta,

    vamos caindo, atarefados,

    em busca da quarta margem: a utopia.

    A metrópole, como um ventre,

    espera o desconhecido

    e na sua imensidsolidão geométrica

    nascem catedrais de ausências.

    Se Paris está lendo Paulo Coelho,

    eis minha vingança:

    vou ler Proust em Cataguases.

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