On the road home

No mês de Dezembro saíram dois livros dedicados à poesia de Wallace Stevens, uma antologia e “O homem da viola azul”, pela Relógio d’Água. Só neste mês é que os vi nos escaparates das livrarias. Distracção minha ou tempo atrasado de novidade. Na antologia reúne-se mais poemas do que a “ficção suprema”,poemas que foram deixados de lado. Assim mesmo, “The Latest Freed Man” continua a fazer parte desses mesmos. Foi difícil escolher um para deixá-lo aqui. Entre o emblemático “The Snow Man, o estupendo “Sunday Morning”,o “Poem with rhythms”, entre outros, fiquei-me “On the Road Home”. Tradução de Maria Andresen de Sousa, de quem espero um livro de poemas, para breve.

No Caminho de Casa

Era quando eu dizia
“Não há uma coisa chamada verdade”
Que as uvas pareciam mais cheias.
A raposa acorria do seu buraco.

Tu…tu  dizias.
“Há muitas verdades,
Mas não são partes de uma verdade”
Então,à noite, a árvore começava a transformar-se

Deitando fumo através do verde, fumo azul.
Éramos duas figuras numa floresta.
E dizíamos que estávamos sós.

Era quando eu dizia,
“As palavras não são formas de uma única palavra.
Na soma das partes só há as partes.
O mundo deve ser medido pelo olhar”;

Era quando tu dizias,
“Os ídolos viram muita pobreza.
Ouro e serpentes e piolhos
Mas não viram a verdade”;

Era nessa altura que o silêncio ficava maior
E mais longo, a noite mais redonda,
O perfume do Outono mais quente,
Mais próximo e poderoso.

Wallace Stevens, tradução de Maria Andresen de Sousa, Relógio de Água, 2005.

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