Uma linha do Douro

Setembro 10, 2007

Das minhas filmagens do Douro fiz uns pequenos cortes e colagens. Muito longe do que poderia ser feito, na verdade. No entanto, qualquer video que seja colocado, a meu ver, no youtube, fica com uma imagem péssima. Este video teve de ser convertido para Windows Media Video (V9) com 1 Mbps de Video, com a melhor qualidade. Contudo, ficou assim. Desconheço outro modo de melhorar as projecções dos mesmos.


Da beleza do Douro

Agosto 13, 2007

 

Régua, Godim, Caldas de Moledo,Rede (na estação inscrito rêde),Barqueiros, Porto de Rei, Ermida,Mirão,Aregos e Mosteirô são as linhas que desenham o poema geológico, como dizia o poeta telúrico Miguel Torga. Ontem tentei captar um pouco da essência do Douro, ao filmar todo esse percurso, de comboio. A viagem é estupenda. É das mais bonitas que se podem fazer de comboio. Ao filmar, segurando a câmara pela mão, dentro de um quarto de janela, com um vento a romper forte pela paisagem, deixei que fosse a realidade do Douro a entrar e não eu a entrar na paisagem. Embora, houvesse uma ocasião, em que apanhei a curva do comboio e um pescador distraído, num pé de margem. Como se filma o Douro? Com que luz? Em que margem fico?Deixo-me ir pela corrente? O Douro é de uma beleza aterradora, nem sei se é possível filmar tanta beleza assim.É mesmo com um poema que nos deixa , no final,  em silêncio.

No cais, com os pés no rio a roer maças. Um comprimido de oásis, com o químico da paz. Melhor não vai ser inventado.


The End

Agosto 10, 2007

Barcelona é uma cidade ideal para andar à pé. Às tantas, numa esquina que expande para tantos sítios, conheci uma loja que só vendia globos e mapas. É uma cidade ideal para não ter mapa ao seu alcance. Para conhecê-la, só mesmo sem mapa. É extensa. Se Barcelona fosse um fruto (do carismático mercado Boquería ou da força arquitectónica do mercado de Santa Catarina) seria uma melancia. Ganhei lá muitos sentidos de errância. Confundia-me sempre o sentido Praça Catalunya e marina ao pé do Colombo. Para mim, era sempre  “para o mar” o  caminho certo. E foi assim, na recta final, que disse “vamos por aqui”, “vamos atravessar esta rua”.  Assim do nada fomos ter a um lindíssimo parque de pinheiros e logo o mediterrâneo ao fundo. Estávamos na praia de Bogatell. Não podia acabar melhor a viagem, a não ser no azul calmo do Mediterrâneo, por acaso. Um oásis no meio de tanta electricidade naturalmente colorida, antes do apagão e depois do concerto da P.j.Harvey, em Barcelona.


Em Barcelona XVI

Agosto 10, 2007

 Muitos fragmentos ficaram por contar.


Em Barcelona XV

Agosto 10, 2007

 

Na Rambla del Poblenou, num dos cruzamentos conhecíamos El Tio Che, que foi outra personagem de Barcelona. Tem uma história incrível. Mas adiante conhecíamos a Plaça del Prim, o coração original de Poblenou. Aqui tudo o resto cresceu, com o tempo, entre árvores ombus. Viveram aqui os pescadores e os operários do séc XIX.


Em Barcelona XIV

Agosto 10, 2007

Na minha passagem pela cidade dos quatros sóis, Bresson, Tarkovsky, Truffaut, Fassbinder, Nicholas Ray eram o pão de cada dia da Filmoteca de Catalunya, dentro de “les teories del cineastes”, ciclo do Raoul Walsh. Perto da Plaza de Sol, não entrei no Cinemascope (com pena minha), mas num café que poderia ser um dos filmes de Cassavetes. Aí havia livros à venda, por 1 euro. Trouxe um do realizador dos rostos, a moeda foi tirada para um balança e um número foi virado, como se tratasse de um jogo de basebol, há bastante tempo. Não sei se a “Monyos” tem um filme sobre a sua história, mas o seu restaurante lá continua. Ou se alguma personagem de Agualusa, na livraria de Altair, vai se encarnar numa história, contada num dos papéis deixados no mural da entrada.


Em Barcelona XIII

Agosto 8, 2007

Woody Allen está em Barcelona a rodar a sua carta de amor a Barcelona. Durante o tempo que lá estive não vi nenhuma boina verde que levasse a pensar que fosse o realizador e nem sequer vi Scarlett Johansson em nenhum bar com fachada british a comer churros. Mas estou muito curiosa para ver o filme.


Em Barcelona XII

Agosto 8, 2007

Um pormenor de Palau de la Música Catalana.


Em Barcelona XI

Agosto 8, 2007

Se a minha memória não estiver enganada, foi no museu da história da cidade da cidade, que vi no pátio, entre um fonte e bancos, duas laranjeiras e uma delas com a particularidade de ter uma teia de aranha. 

Fiquei parva com a “monstruosidade” do museu nacional de arte de Catalunya, salas a perderem de vista, seguindo um rumo de mil anos de arte. Às tantas já não sabia por onde me virar, se para o românico ou se para o moderno. Depois de tanta arte, “lavei” os olhos com o espelho de pedras de Mies Van Der Rohe.


Em Barcelona X

Agosto 6, 2007

Fotogramas de A Residência Espanhola, de Cédric Klapisch, 2002.


Em Barcelona IX

Agosto 6, 2007

Perto da praça mais política da cidade, a plaça de St.Jaume, a gelateria italiana pagliotta. Conta-nos a história que Pagliotta é o apelido do fundador da gelateria. E conta-nos também que, depois da primeira guerra-mundial , os gelados eram elaborados com a ajuda de grandes blocos de gelo, que eram transportados por mulas desde das frias serras de Calabria até os vales de Pazzano. Entre as duas guerras a história foi outra.


Em Barcelona VIII

Agosto 6, 2007

O catalão nos bares, nos restaurantes, nas pastelarias. O catalão na rua. Na lingua catalã os dias são mais dias. Têm todos o prefixo “di-” que se refere à dia.

  • Dilluns – Segunda-feira;
  • Dimarts – Terça-feira;
  • Dimecres – Quarta-feira;
  • Dijous – Quinta-feira;
  • Divendres – Sexta-feira;
  • Dissabte – Sábado;
  • Diumenge – Domingo.
  • A palavra que mais gostei de ouvir foi Adéu, que siginfica “adeus”. Principalmente, em todo o local que entrava em Girona recebia no final um “Déu”. Tem uma sonoridade bonita e leve para um adeus. Muito diferente de um “até já”, de um “até logo”, de um “até amanhã”.


    Em Barcelona VII

    Agosto 6, 2007

    Na segunda-feira expandíamos os nossos caminhos pela L’Eixample, acompanhados sempre por um sol intenso, nem uma sombra alugada estava disponível. No Passeig de Gràcia, como outros passeos da cidade, ladeado por uma fila para ciclistas. Nesse passeo os candeeiros já eram os primeiros elementos que nos apareciam na rota da beleza. Subíamos o passeo, até determos primeiro na “ilha da discórdia”, constituída pela Casa Lléo Morera, Casa Amatler e a Casa Batlló, mais conhecida por La Pedrera. Todas elas nos apresentam vários estilos e contrastes. Daí também a discórdia. La Pedrera foi o último trabalho (ridicularizado na altura da sua criação) de Antoni Gaudí, antes da sua Sagrada Família. Trabalho para o industrial Josep Batlló. A sua fachada com os seus ondulados orgânicos é estupenda. Uma visita ao telhado é fundamental, para além das chaminés, dos respidouros esculpidos que podem assustar um bocado (daí terem o nome de espantabruixes), a vista é maravilhosa. Essas mesmas chaminés estão mais próximas do onírico do que outra coisa qualquer. Indispensável também é visitar o terraço, o espaço de Gaudí e o quarto-andar onde se pode ver uma réplica de um apartamento entre os anos 1909 e 1929.


    Em Barcelona VI

    Agosto 5, 2007

    Em Profissão : Repórter, Jack Nicholson e Maria Schneider visitam La Pedrera ( a casa mais onírica que conheci) e, por isso, quando lá estive lembrei-me de Antonioni.

    Amanhã contarei.

    Fotogramas : Profissão: Repórter, Antonioni, 1975.


    Em Barcelona V

    Agosto 5, 2007

    Apesar de ter estado em várias zonas de Barcelona, por agora continuo na cidade velha. Aqui no número da porta desta pastelaria, Escribà, foi um caso sério fotografar esta lindíssima fachada, sem nenhum pormenor turístico louro a atravessar. A história desta pastelaria é longa e doce, a partir do ano 1820. Antóni Escribà, o proprietário, certamente terá mil especialidades em biscoitos e chocolates, só sei que Escribá levou ao Mick Jagger, aquando do concerto no estádio olímpico de Montjuic uma pasta de dólares de chocolate, com a cara de cada um dos membros da banda.

    Também não vi na montra nenhum berço de bebé, em forma de chocolate, deslizada por algum dólar, inspirado em príncipes. Escapou-m este pormenor.

    (foto da minha autoria, depois de várias tentativas)


    Em Barcelona IV

    Agosto 5, 2007

    Uma varanda discreta e muito bela na eléctrica Ramblas, no coração da cidade velha, que descobri no meio de tanto turista. Não li nenhuma referência sobre ela.

    Outra varanda, sob o meu olhar, na rota quadriculada de L´Eixample, que nos apresenta casa sim e casa sim um pormenor da força da arquitectura moderna da cidade.

    (as fotos são da minha autoria).


    Em Barcelona III

    Agosto 4, 2007

    Domingo de manhã, tomámos o caminho em direcção ao Colombo, aos barcos, ao iodo que nos dizia que o mar estava perto. A marina estava cheia de gente que passeava e de iates, de barcos que partiam com famílias ou com grupos de amigos que assim davam destino aos seus domingos. Da rambla de mar, depois da passagem da ponte giratória, cruzo o olhar com o teleférico, certamente a vista das Ramblas de lá de cima deve ser fantástica. Pelo Moll d’Espanya, contornávamos o shopping sofisticado Maremagnum e , mais adiante, após um passeio pelos clubes de iates, descobríamos um aquàrium, uma imersão no mundo dos peixes-lua e outras famílias, que não vimos por dentro, mas que vimos numa parede azul. Atravessámos o Moll de Fusta, inspirado na ponte de Arles pintada por Van Gogh, na extremidade deste cais, numa praça uma escultura do artista pop Roy Lichenstein, a cabeça de Barcelona. Uma homenagem ao Guadí e à Barcelona.


    Em Barcelona II

    Agosto 4, 2007

    Da Fundação de Miró, uma vista esplêndida para a cidade e para o parque de Montjuic.

    Do telhado de La Pedrera, um fragmento da expansão de L’Eixample no seu desenho de ruas em quadriculado. No que toca à arquitectura, um autêntico museu ao ar livre.


    Em Barcelona I

    Agosto 4, 2007

    A rua que vai ter ao mar, La Rambla. Chegámos aqui por volta de uma e meia da manhã, uma noite de verão, e tudo continuava verdadeiramente vivo, que vai de pessoas às cores. Logo seguimos o “leito” electrificante de pessoas e tropeçávamos em turistas, alojados na noite. Quiosques abertos, de jornais de várias línguas e dialectos, vendendo tudo um pouco, de àgua ao jornal inglês. E algumas ilhas de homens que vendiam a sua “estrella”. Entre quiosques, gaiolas de todos os feitios e formas com papagaios e outras famílias de aves, músicos, imitadores, palácios ,fontes e praças, muitas flores no domingo de manhã. Acredito que aqui vários pintores buscaram cores. Certamente também passámos por algum café, onde se sentara alguém a apontar um fio de palavras, desta “veia” aberta chamada Ramblas. Aqui não vi nenhum mendigo, a rua mais animada da cidade.

    (fotos mal pixeladas são da minha autoria).