Setembro 5, 2006
Uma enorme montanha de perguntas para uma grande roda de pessoas. A discussão será no próximo dia 9 de Setembro. O local é em Berlim. O que vai resultar? Mais uma montanha de perguntas. Mas também acredito.
Da sua casa, acompanhada pela sua cadela, Laurie Anderson também não podia deixar de perguntar sobre um assunto que lhe é caro. Neste video, ela pergunta: How does an individual relate to the group in the 21st century? What is your group? What is your relationship to yourself? Because it is a long way from you to the group, but it’s not a long way into yourself. How do you grow? How do you measure this distance?
Quem também não vai perder a oportunidade de se sentar nessa mesa é Wim Wenders. O seu video, onde começa por dizer que está cansado…
Façam as vossas perguntas/questões em Dropping Knowledge.
Sem Comentários » |
Apontamentos, Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício
Abril 26, 2006
A morte de uma língua, mesmo que esta seja apenas sussurrada por um punhado de desgraçados numa parcela de solo devastado, é a morte de um mundo. A cada dia que passa diminui o número de maneiras diferentes para dizer a palavra “esperança”. Na sua escala diminuta, a minha condição poliglota foi a minha maior sorte. Graças a Babel.
George Steiner, Errata : Revisões de uma vida, Relógio d’ Água, pág 125.
2 Comentários |
Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício
Abril 17, 2006
Por aqui, pelo site You Tube, errando até ao passado, aos videoclips, que via há uns bons valentes anos. Como este aqui, dos The Stranglers, Always The Sun,que eu adorava. Era 1986 e eu dançava ao som de How many times has the weatherman told you stories that made you laugh? (Sorrio agora)
Entretanto, coloco parêntesis no passado e volto ao silêncio. ( ). Imperdível para os admiradores:John Cage 4′33 . Errando. Agora pego a boleia de Ryan Adams, When the Stars Go Blue. Errando. Agora … ( ) Outra boa memória.
(Se perdesse a memória, voltando a este blogue, tudo isto seria estranho para mim?)
3 Comentários |
Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício
Abril 12, 2006
O maior inimigo da universidade portuguesa chama-se endogamia. Endogamia significa pouca transparência e clareza. O termo utilizado por diversos avaliadores internacionais é inbreeding, um termo que, literalmente, significa consanguinidade. Quer dizer, protecção dos nossos apaniguados e amigos, mesmo que à custa dos direitos legítimos de outros. De forma não eufemista, endogamia significa corrupção. A palavra é dura, mas deve ser uma das mais apropriadas para a realidade do inbreeding que grassa na universidade portuguesa. Como disse, quando a vêm avaliar, os peritos estrangeiros sempre frisam esta triste realidade. Não deve ser, portanto, uma invenção minha.
Orlando Lourenço,Os muitos males na universidade portuguesa, na Crítica na Rede.
3 Comentários |
Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício
Abril 6, 2006

(c)Regina Schmeken, „Posen - Positionen“ .
Com a saída do romance Numa noite escura sai da minha casa silenciosa, de Peter Handke era bom que fosse o início do caminho para novas edições do autor. E, muito em especial, de uma colectânea de textos sobre cinema, literatura e artes plásticas, de que fala Simone de Mello aqui.
Que grandiosos os caminhos de volta depois deste ou daquele filme, que caminhos maravilhosos. Não há nada neste mundo comparável a estes trajetos depois do cinema, depois da Viagem a Tóquio, de Ozu, de Andrei Rubliov, de Tarkovski, de Mouchette (A Virgem Possuída), de Bresson ou de Nazarin, de Buñuel. Caminhos de casa onde estar em casa era justamente caminhar, longe e mais longe. Portanto, um salmo do espectador aos deuses do cinema: mais filmes para mais caminhos de casa.
(desisti de entender por que razão muito dos títulos dos filmes estrangeiros são estupidamente traduzidos e inventados).
Sem Comentários » |
Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício
Março 12, 2006
Um dia li num livro : “Viajar cura a melancolia”.
[...]
Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica.
Afasta o espírito do que é supérfulo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida – entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas.
Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada:sabe que o homem não foi feito para ficar feito quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma – estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta – sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.
Al Berto, O anjo mudo, Assírio & Alvim.
Sem Comentários » |
Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício
Fevereiro 12, 2006
[...] Já não tenho tantos complexos de doente de literatura como quando, por exemplei, cheguei a Nantes em Novembro do ano passado. Por isso agora posso dizer tranquilamente que, entre a vida e os livros, fico com estes, porque me ajudam a entendê-la. A literatura permitiu-me sempre compreender a vida. Mas precisamente por isso deixa-me à margem dela. Estou a falar a sério: está bem assim.
Enrique Vila-Matas, O Mal de Montano, Teorema, pág. 136.
Porque la vida real, la vida verdadera, nunca ha sido ni será bastante para colmar los deseos humanos. Y porque sin essa insatisfacción vital que las mentiras de la literatura a la vez azuzan y aplacan, nunca hay auténtico progreso.
La fantasía de que estamos dotados es un don demoníaco. Está continuamente abriendo un abismo entre lo que somos y lo que quisiéramos ser, entre lo que tenemos y lo que deseamos.
Pero la imaginácion ha concebido un astut y sutil paliativo para esse divorcio inevitable entre nuestra realidad y nuestros apetitos desmedidos: la ficción. Gracias a ella somos más y somos otros sin dejar de ser los mismos. En ella nos disolvemos y multiplicamos viviendo muchas más vidas de la que tenemos y de las que podríamos vivir si permaneciéramos confinados en lo verídico, sin salir de la cárcel de la historia.
M. Vargas Llosa, La verdad de las mentiras, Seix Barral, Barcelona, pág 19.
Sem Comentários » |
Passagens |
Permalink
Publicado por Lídia Aparício