A sala Eduardo Prado Coelho.

Abril 9, 2008

Ontem estive na biblioteca de Camilo Castelo Branco, em Famalicão. Queria conhecer a sala Eduardo Prado Coelho. Ainda não entendi muito bem o porquê do espólio do escritor ter ido para a cidade de Famalicão, apesar da justificação estar ligada  a um prémio. A sua biblioteca pessoal é impressionante, embora ainda esteja somente uma pequena fatia do total. Predomina o francês, predomina a filosofia. Abri muitos livros. Muitas são as dedicatórias, muitos são os sublinhados e também muito é o silêncio em muitos dos livros, nem uma única marca. Não vi o seu nome, nem data, em qualquer um. Agora um carimbo. Espantou-me um arvoredo de sublinhados pela segunda edição de Húmus, com um grande destaque para “atrás do muro”, no seu índice. Gostei de ver um anagrama, na última folha branca, num canto, com nomes de amigos e não só, em Do Mundo, de Herberto Helder. Às tantos leio, pela voz  de Ana Teresa Pereira : O que acontece às personagens quando o escritor vai embora? E a outra pergunta terrível, muito mais terrível: o que acontece ao escritor? . Quando atravessares o rio, página cinquenta. Em A imperfeição da Filosofia, no canto superior de uma das páginas pergunta : há um antídoto para a dor, para a morte? Ou Afinal o futuro era isto, este verso de Rui Pires Cabral é retirado do corpo de um poema para ficar no rosto do livro.


Memórias

Dezembro 17, 2007

Memórias : aqui.


Banda Desenhada na Baixa do Porto

Junho 21, 2007

Pormenor da prancha “Entre os Olhos”, de Emma Ríos.

No cartaz vêem-se grandes prédios em fundo vermelho, no entanto a banda desenhada galega (dos anos 70 à actualidade) estará na baixa do Porto, mais precisamente na Galeria Sargadelos. Pelas 18h30, de amanhã , cortam-se as fitas para várias pranchas originais. São mais de 20 autores num espaço de tempo que engloba os pioneiros, underground, indústria e presente.

Mais do que toda informação é ver esta exposição. E pode ser mesmo naquele tempo em que se vai até à ribeira do porto tomar um café ou mesmo antes do desfile dos barcos rabelos pelo douro no domingo.


Praying for time

Maio 13, 2007

George Michael esteve ontem pela primeira vez a actuar em Portugal . A nostalgia dos meus tempos em que ouvia na rádio ou nas cassetes as suas músicas foi a nota definitiva para não perder o concerto. Coleccionei os seus álbuns até parar em canções “from the last century”. Vi a sua imagem de “Faith” a ser queimada em “Listen Without Prejudice” e esperei por “Older”(muito preso às sonoridades do jazz, o mais perfeito que ele fez, a meu ver). De um artista completo, só se pode esperar o profissionalismo de querer vestir as canções mais próximas do osso da emoção das suas letras, assim não podia deixar de ser com George, que sempre garimpou a perfeição. Foi com nostalgia mesmo ( e prestes a somar mais um ano), olhei pelo retrovisor e pensei que só faria sentido eu estar lá também naquele estádio. Não me lembro de ter estado num concerto onde sentisse uma geração tão de perto e tão junta, foi algo estranho. Pode também parecer estranho gostar de George Michael, quando se gosta de rock puro e duro, ou quando se gosta de tantas sonoridades díspares. No entanto, quando se gosta ,primeiro de tudo, a música, e quando a música é bem feita, as prateleiras não interessam muito. Como era de supor a sua crítica declarada ao Bush e Tony Blair foi cantada em alto tom. As plumas não entraram na festa. Nos seus pés rolou sempre uma série de jogos cruzados de luzes e cores,de imagens (de john lennon a marilyn monroe). E numa das músicas (que não me recordo agora o nome), por uns instantes fizemos parte da película de um rolo fotográfico. Músicas dos anos 80 e dos anos 90, as mais roladas, e também uma “paciência” e uma celebração ao amor. Ontem cantei do início até ao fim, a música que, para mim, continua a ser a mais conseguida do George : Praying For Time. Uma música de 1990 que continua a ser muito actual em 2007. No decorrer do “Praying for Time” muitos sóis nasceram e morreram, ficando sempre o horizonte do mar por final, como se tratasse de uma linha de esperança.

These are the days of the open hand
They might just be the last
Look around now
These are the days of the beggars and the choosers

This is the year of the hungry man
Whose place is in the past
Hand in hand with ignorance
And legitimate excuses

The rich declare themselves poor
And most of us are not sure
If we have too much
But we’ll take our chances
‘Cause God’s stopped keeping score
I guess somewhere along the way
He must have let us all out to play
Turned his back and all God’s children
Crept out the back door

And it’s hard to love, there’s so much to hate
Hanging on to hope
When there is no hope to speak of
And the wounded skies above say it’s much too much too late
Well maybe we should all be praying for time

These are the days of the empty hand
Oh, you hold on to what you can
And charity is a coat you wear twice a year

This is the year of the guilty man
Your television takes a stand
And you find that what was over there is over here

So you scream from behind your door
Say what’s mine is mine and not yours
I may have too much but I’ll take my chances
‘Cause God’s stopped keeping score
And you cling to the things they sold you
Did you cover your eyes when they told you
That he can’t come back
‘Cause he has no children to come back for

It’s hard to love there’s so much to hate
Hanging on to hope when there is no hope to speak of
And the wounded skies above say it’s much too late
So maybe we should all be praying for time


hei-de voltar a…

Abril 26, 2007


O mapa, corpo

Dezembro 2, 2006

(c)Mary Daniel Hobson ,Imprint, 2001


Maio 68 : a linguagem e o poder

Outubro 24, 2006


(via aqui )

Tentativa de tentativa de vídeo imperfeito , Maio em Construção , aquando da pré-preparação da exposição de Cartazes de Maio 68 , na Galeria Sargadelos do Porto, até ao dia 30 de Dezembro .
(Música : On the other side of the world (instrumental), de Tom Waits).


5 perguntas

Setembro 10, 2006

Meu amigo Domingos achou muito interessante a iniciativa do Dropping Knowledge, seguindo realmente a maratona que se realizou ontem, contribuindo igualmente com cinco perguntas muito interessantes e muito pertinentes. Não podia deixar passar em branco. Aqui ficam:

In a world dominated by realpolitik does real politics still make any sense? Isn’t economy (or, better yet: the production of profit for a tiny minority) the only driving force in the world today? Isn’t democracy a farce, then? Virtualpolitik?

How can people get any information that puts the powerful in a bad light from media owned by them?

When poor people fight for their country, aren’t they really defending rich people’s interests?

How is it possible to create anything artisticaly valuable in the
society of the spectacle?

Domingos Isabelinho , 46, Borba, Portugal


A foz do mar

Agosto 14, 2006

(c) eu mesma. a foz do mar. agosto 2006.

[...]Pensava que amar-te (querer-te livre)
Começava na ponta dos dedos e ia até às ideias mais abstractas,
Que o teu corpo era a melhor expressão possível de ti, e ainda
Muda, como um hieróglifo enterrado

Na areia do teu deserto favorito (algures na anatólia),

Pensava que serias um dia aquela singular memória

Que nos separa, um breve instante, de tudo quanto vemos,

E muitas outras noites, acordado junto ao teu corpo ausente,

Seriam como esta: vidros abertos sobre um ror de estrelas,

Nuvens ligeiras navegando em direcção ao mar,

O jovem coração, liso detrás das grades, dos ossos.
[...]

António Franco Alexandre, Uma fábula, ” 3.Eco”, Assírio & Alvim.


Vai um passeio pela história dos Aliados?

Fevereiro 17, 2006