Agarrei na sexta-feira e dei sentido à minha errância. Atravessei a cidade de uma ponta à outra, ou melhor, na circunferência do seu coração. Começo por qualquer sítio, a b.d que desenho dentro do pensamento, guarda na retina o que fotografo.Às tantas, estou na titulada rua que estaciona arte, a rua que neste sentido segue agora o dos tremoços.

Desço e cruzo-me com o cheiro que trago na memória de uma árvore, ao fundo da rua. Mais um bocadito, e não sei que horas são, o relógio ficou na gaveta, nem faço a mínima quantos minutos são, até chegar ao palácio e os tais famosos ninhos lá estão de volta. Tomo outro caminho, deixo três livros na biblioteca e giro até à saída. Dou-me conta que há outra festa no palácio e esta não é feita de papel. Tem outra cor.

Por mais que quisesse permanecer nos jardins, fico o tempo que sobra por uma unha, faço as diferenças pelo o olhar, o puzzle dos verdes. Como é que era mesmo essa árvore no inverno, ou melhor, há um mês atrás?Por mais que quisesse, as cadeiras vazias iam ficar lá presas à espera.

Sai do palácio e desço mais ao coração da cidade. Caos de tubos, confusão de pó, escavadoras de rastos, um cenário de obras por todo lado que se caminhe. Nem os espelhos enganam.

Pergunto-me:O que se passa nesta cidade? As respostas estão descosturadas.

No meio de tanto pó, Jesus Cristo baixou à baixa. Fugindo à redudância, chegou a super estrela. No meio do caos só poderia nascer uma estrela,…. As portas já estão abertas.

Não estou a ver muito bem, é mesmo a cruz de Cristo ou é uma janela do milénio?

Também no seu alto, há uma águia que deixou de voar.Uma águia que nos apresenta uma noite na terra e promete-nos a seguir: tudo o que o rio levou.


Os meus passos lá continuam, nesta cidade com um envelope sujo e sem destino certo. O meu olhar deixa o seu selo.

(fotos de Lídia Aparício).