Uma volta

Maio 15, 2008

Numa viagem saudosista pelos meus blogues, dou-me conta de várias coisas, de frases que continuam a fazer sentido e de imagens que perdem força. Em Maio de 2003, falo em Persepolis, de Marjane Satrapi. Só há pouco tempo a tivemos em dvd. Em Maio de 2004 ,Bénard da Costa conta como The Birth of a Nation continua a ser um filme censurado, pelo menos na América. Em Maio de 2005, tinha comigo estes versos de Pound e ,em 2006, este bouquet de soleils. No ano passado terminei o mês com “blue sky blues”.


De wit

Maio 15, 2008

Como já dizia aqui, Father and Daughter, de Michael Dudok de Wit é só a minha curta de animação, de eleição. Encontrei-a agora aqui. Triste e bela!

The Monk and The Fish é belíssima também.


A margem

Maio 15, 2008

Kenneth White, no seu Espírito Nómada, atravessa o caminho de vários escritores, filósofos, entre mais. Aqui cita Camus mais uma vez : “Quando vivia em Argel, esperava sempre pacientemente pelo Inverno porque sabia que numa noite fria e pura de Fevereiro as amendoeiras do vale dos Cônsules se cobririam de flores brancas. Sentia-me maravilhado ao ver logo depois essa neve frágil resistir a todas as chuvas e ao vento do mar. Então, todos os anos ela persistia, tanto quanto era necessário para preparar o fruto.Não se trata aqui de um símbolo. Não ganharemos a nossa felicidade com símbolos. Temos que ser mais sérios.Quero apenas dizer que por vezes, quando o peso da vida se torna demasiado excessiva nesta Europa ainda completamente cheia da sua infelicidade, viro-me para esses países luminosos onde tantas forças permanecem ainda intactas. Conheço-os demasiado para não saber que eles são a terra de eleição em que a contemplação e a coragem podem equilibrar.”

Ainda Camus muito antes , numa meditação do mundo : “Só a vida moderna, diz Camus comentando Hegel, oferece ao espírito o terreno em que ele pode tomar consciência de si mesmo. Vivemos também o tempo das grandes cidades. O mundo foi deliberadamente amputado daquilo que lhe dá a permanência: a natureza, o mar, a colina, a meditação do entardecer. Já não há consciência de que nas ruas é esse o decreto. E na sua sequência, as nossas obras mais significativas testemunham da mesma parcialidade. Procuram-se em vão as paisagens na grande literatura europeia desde Doistoïevski. A história não explica nem o universo natural que existia antes dela, nem a beleza que está acima dela”.

Apesar das citações serem focadas no que dizia Camus, pergunto-me como é que pensaria Thoreau se vivesse neste mundo agora. Thoreau que decidiu um dia, fatigado de um mundo, onde não pudesse tirar o máximo de vida possível, viver perto de um lago numa cabana, por algum tempo.