De Beauvoir

 

Porto, Janeiro 2008.

No ano em que passam cem anos do nascimento de Simone de Beauvoir, regresso ao Sangue dos Outros. Releio os sublinhados. É curioso. Se voltasse a lê-lo hoje, não seriam certamente os mesmos sublinhados.

Página 56, traduzida por Miguel Serras Pereira.

“Isto não adianta nada”, disse ela. Encostou-se a uma árvore. O tronco estava a escorrer de nevoeiro líquido, gotas geladas caíam dos ramos nus; Hélene sentia o frio que fendia cada fibra do seu corpo. Retomou a marcha. “Isto não adianta nada”, repetia ela. De toda a maneira, ficava-se no mesmo sítio, como nos pesadelos. Progredir, recuar; não havia meta.

Uma Resposta para “De Beauvoir”

  1. ana Diz:

    a questão dos sublinhados é muito interessante, sobretudo quando os sublinhados se mantêm porque a realidade exterior não se modificou. Já reparou que “os sublinhados que não seriam certamente os mesmos” foi porque fomos outros (espero sempre igualar ser outro a a crescer- como gente- embora saiba que nem sempre é assim.)

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