A noite abre meus olhos
Os amigos
Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura
Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis
Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor
José Tolentino Mendonça , A noite abre meus olhos [poesia reunida],Assírio & Alvim, 2001
Agora sim a editora Assírio & Alvim editou uma verdadeira colecta de um dos meus poetas. Não os tais famosos tijolos de 354 páginas, mas sim num formato quase A5 ,de lombadas de cor de vinho, na capa um desenho de Ilda David, os poemas de Tolentino Mendonça.
Agosto 17, 2006 às 7:43 pm
Lídia, amiga querida,
o poema “os amigos”é de chorar de tão belo.
Saudades,
de conversar contigo!!!
Mauro
Agosto 22, 2006 às 6:25 pm
obrigada, amigo. daqui a nada estás a receber um e-mail