Aprendiz de Viajante

Um dia li num livro : “Viajar cura a melancolia”.
[...]
Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica.
Afasta o espírito do que é supérfulo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida – entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas.
Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada:sabe que o homem não foi feito para ficar feito quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma – estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta – sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.

Al Berto, O anjo mudo, Assírio & Alvim.

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